“Maria vai com as Outras”

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Na semana passada li achei bem interessante o comentário que Nizan Guanaes soltou para a imprensa, no site da RG, sobre a busca de uma nova classe alta aqui no Brasil, e resolvi dividir um pouco da minha visão sobre isso.

A internet virou febre anos atrás e por fim, todos têm muita opinião sobre tudo e todos, ainda mais com os comentários e reações no facebook e claro, nos blogs por ai, que por muitos são considerados o lixo da “rede” com opiniões rasas e sem base alguma.

Esse ano já tivemos um “salve” quando na semana de moda de Nova Iorque houve a proibição de blogs na primeira fila e todo o caso que rolou. Tudo bem que, em sua maioria blogueiras, comunicam algo em seus canais e logo o que foi comunicado está sold out no dia seguinte. Legal? Sim, afinal vivemos numa máquina capitalista em que para muitos, vale tudo para ganhar mais e mais, com ou sem conteúdo e cultura.
Verdade que muitas dessas pessoas que se tornam “celebridades” virtuais não têm base alguma e pouco sabem do mundo que vivemos, muitas vezes se limitando a tela de seus computadores fazendo o que chamam de pesquisa, que por sua vez criam opinião concreta sobre tal lugar, tal coisa, mesmo sem nunca ter sentido o cheiro de tal. Se não podem ter acesso a tal, que ao menos não criem opinião formada sobre o assunto. Concordam?
Porque estou falando sobre isso? Pelo fato de uma classe específica seguir tais pessoas como se fossem donos da verdade e referências para a vida, sendo que essas pessoas muitas vezes não são.
Porque não se informar abrindo um livro, entendendo a história verdadeira, o que de fato importa? Não é mesmo? Pensando assim é tão simples fazer como se fazia antigamente.

Falo tudo isso pois há muito tempo que essa classe considerada alta, muitas vezes nem tanto, me deixa de boca aberta com suas ações.
Não estou me colocando em nenhuma situação ou contexto e muito menos classe, somente expondo uma ideia que tenho há anos e converso vez aqui, vez ali nas rodas de amigos.
São os famosos “maria vai com as outras” em que dependendo de quem vá, de quem falou, vira febre. É Punta Del Este, é Saint Tropez, é St Barts e claro Nova Iorque, a cidade que absolutamente todo mundo tem opinião sobre, do melhor drink, melhor Dry, melhor bla bla bla, se limitando somente a Uptown sem conhecer o que realmente tem de melhor… ( em breve vou falar mais sobre isso aqui no VICCO).
Não fazem uma viagem para lugares que ninguém nunca falou, não tentam achar algo novo, uma comida nova, afinal, por que ir a um lugar que eles não poderão voltar ao Brasil e trocar informações, ou melhor, competir com os “amigos”, dizendo que lugares foram, o que tomaram, afinal, as experiências têm que ser quase sempre as mesmas. Viva a monotonia!

Tem um caso que exemplifica muito o que estou falando. Tenho uma amiga querida que há mais de 6 anos passa os finais de ano em Cabo Polonio, lugar lindo e pé na areia/pedra no nosso irmão Uruguai. Quando saia com ela, acabava comentando para outras pessoas que ela falava muito desse lugar e a mágica que tinha por lá…  após as conversas, por três vezes ela me pediu para não falar e não divulgar. OK, sem problemas, calei e consenti. Com os anos, Julia Chaplin escreve o livro Gypset Style que virou a bíblia dos que se consideram “descolados” por aqui. Na sequência, Julia lança Gypset Travel com os lugares que seguem o estilo gyp setter, que é uma mistura de Jet Setter, termo bobo que inventaram para ricos viajantes, com o estilo gipsy, cigano em inglês.
No tal livro de viagens, estava Cabo Polonio como um dos destinos e logo comentei com essa minha amiga… Pum! Dito e feito! Já começou a virar febre entre essa turma que literalmente deve invadir em questão de um ou dois anos. Esse ano, muita gente já falou, se não me engano recentemente saiu uma matéria em uma dessas revistas dedicadas a esse público e por ai vai água abaixo.
Um caso aqui no Brasil é Trancoso que foi invadido anos atrás e hoje tem 40% do turismo só de paulistas, ou melhor, paulistanos, que nos finais de ano saem de onde vivem para ver o que e quem? Eles mesmos! É isso aí, passam o ano inteiro vivendo e vendo as mesmas pessoas para chegarem no fim do ano, nas tão desejadas férias e ver as mesmas pessoas. Há quem ache legal. Eu? Nem um pouco!

Por fim, o dinheiro não compra estilo, bom gosto e nova ideias próprias, mas sim a educação e a vida que tiveram até chegar aonde estão hoje. São os que chamo de Cafonas com C maiúsculo e Nizan os chama de gente caipira. Não é só de estilo, pessoas com todo o dinheiro do mundo que poderiam ter uma vida mais interessante e claro, mais inteligente. Esses sim, são os verdadeiros pobres, e não estou falando de suas contas bancárias gordinhas.
Meu avô paterno, Arnon de Mello, tinha um dizer muito interessante que levo comigo sempre e cruza justamente com essa ideia: “quem não se interessa, não interessa”. Frase simples mas de caráter intenso que me deparo todos os dias com pessoas aqui e ali que têm opinião de tudo e não sabem de quase de nada.

Concluindo, penso que talvez essas pessoas devam ficar com o que têm para que as que têm conteúdo, se destaquem e chamem atenção de quem realmente importa, pois pelo visto será difícil mudar a cultura do Champagne com foguinho e Ferraris. Mas ao menos que não passe essa ideia adiante para os seus filhos. Aproveito o gancho das aspas de Nizan e digo: “Pois é com educação e não dinheiro no bolso, que o Brasil irá melhorar, independente da incitava do governo… isso é algo que primeiramente deve ser feito dentro de casa”.

Para ler o comentário de Nizan, clica AQUI que vale a pena a leitura.

Ufa!

Imagem: Reprodução


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